terça-feira, 23 de março de 2010

PESQUISA TRAÇA PERFIL DE MOTORISTAS QUE USAM ÁLCOOL E DROGAS.

O estudo “Uso de bebidas alcoólicas e outras drogas nas rodovias brasileiras” divulgado, nesta segunda-feira (22), em Brasília, revelou que, motoristas que transitam em rodovias federais e ingeriram álcool ou outras drogas apresentaram índices de transtorno psiquiátricos mais elevados do que àqueles que não fizeram uso de drogas nenhuma (sóbrios).

O levantamento revelou ainda que os motoristas particulares que trafegam nas rodovias consomem mais álcool do que caminhoneiros e condutores de ônibus. Porém os caminhoneiros consomem mais anfetaminas do que outros condutores.

A pesquisa foi desenvolvida pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), em parceria com o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), do Ministério da Justiça, o Departamento de Polícia Federal (DPF), o Departamento de Polícia Rodoviária Federal (DPRF), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran).

Realizado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o estudo tem como objetivo ampliar o conhecimento científico sobre o tema, além de orientar e legitimar a elaboração de políticas públicas, capazes de prevenir e reduzir os danos causados pela perigosa associação entre álcool, outras drogas e trânsito.

A pesquisa entrevistou 8 mil condutores de veículos (carros, caminhões, motos, ônibus) em rodovias federais dos 27 estados do país. Sobre o período de consumo, a pesquisa apontou que as taxas de uso das substâncias entre os brasileiros abordados foram maiores à noite nas rodovias (7,3% após às 20h) e mais baixas nas sextas-feiras e sábados (- 4,8 %).

Além disso, 25% dos motoristas entrevistados admitiram ter consumido cinco ou mais doses de bebidas alcoólicas entre duas e oito vezes no último mês. De 55% a 60% dos motoristas disseram que bebiam de 7 a 15 doses de álcool em um dia típico de consumo.

Para o chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Jorge Félix, a pesquisa impõe o debate público e aponta para a necessidade de formulação de políticas governamentais. “No Brasil, nos últimos anos, os acidentes de trânsito foram responsáveis pela perda anual média de mais 30 mil vidas, sendo a nona causa de morte e a segunda entre as causas externas, as chamadas mortes evitáveis”.

Outro perfil traçado na pesquisa identificou que, em geral, motoristas particulares apresentam um comportamento mais liberal em relação ao álcool (consumo, abuso, positividade de alcoolemia) quando comparados com motoristas profissionais.

A secretária nacional de Políticas sobre Drogas da Presidência da República, Paulina Duarte, disse que o governo federal está atento para este tema. Ela citou a instituição da lei 11.705, conhecida como a Lei Seca. “Por meio da Polícia Rodoviária Federal distribuímos 10 mil etilômetros e faremos a capacitação de todos os agentes para que atuem nas rodovias com uma abordagem mais educativa junto aos condutores, entre outras estratégias”, explicou ela.

O secretário-executivo do Pronasci, Ronaldo Teixeira, ressaltou ainda a implantação do projeto piloto Unidade de Pronto-Atendimento ao Cidadão da PRF (Unaci), no Paraná. “Houve investimento do Pronasci, com mais viaturas, capacitação e bafômetros. Essa iniciativa contribuiu para a redução dos índices de acidentes de trânsito na região”.

Método

As oito mil entrevistas foram realizadas, entre 2008 e 2009, nas rodovias federais das 27 capitais brasileiras, abrangendo motoristas de carros, motos, ônibus e caminhões – particulares e profissionais - e, na cidade de Porto Alegre (RS) abrangendo motoboys, vítimas de acidentes de trânsito, condutores de veículos freqüentadores de bares e restaurantes e amostras da população de não condutores.

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